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Atualizado em 08-08-2018

Conheça o sistema de devolução de embalagens de defensivos

O sucesso do Brasil ganhou destaque mundial após a criação do Sistema Campo Limpo. O programa, que é gerenciado pelo inpEV, realiza a logística reversa de embalagens vazias de agrotóxicos no Brasil. João Cesar Rando,  diretor presidente do inpEV, explica que o sistema abrange todas as regiões do país e tem como base o conceito de responsabilidade compartilhada entre agricultores, indústria, canais de distribuição e poder público.
“Existe uma cadeia de responsabilidade, que começa no momento da compra do agrotóxico. As revendas, as cooperativas ou as distribuidoras são obrigadas a colocar, na nota fiscal, o local de recebimento dessas embalagens. Depois disso, a indústria fabricante recolhe, e fica responsável por enviar para a reciclagem ou encaminhar para destino final”, explica Rando.
Responsabilidade ambiental

Rando conta que antes da legislação, as embalagens eram enterradas, queimadas ou jogadas em rios. Segundo dados de uma pesquisa realizada pela Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef) em 1999, 50% das embalagens vazias de agrotóxicos no Brasil naquela época eram doadas ou vendidas sem qualquer controle, 25% tinham como destino a queima a céu aberto, 10% eram armazenadas ao relento e 15% eram simplesmente abandonadas no campo.
“Antes não havia recolhimento, os produtores estocavam as embalagens e depois queimavam ou faziam uma vala e enterravam. Não tinha destinação final e era reutilizada de forma inadequada”, explica.
O presidente do inpEV conta que uma atitude voluntária da indústria, em 1992, buscou uma solução para as embalagens.
“Para tentar dar um fim na poluição, a própria indústria se uniu e passou a fazer o recolhimento de embalagens. Na época não se tinha registro de todos os agricultores que usavam o produto, então, era mais complicado. Mas essa experiência piloto contribuiu muito para estabelecer o funcionamento da lei que temos hoje”, destaca.
Os resíduos dos agrotóxicos são nocivos ao meio ambiente e à saúde dos animais e dos seres humanos. Os riscos de contaminação são os piores possíveis. Quando as embalagens são abandonadas no ambiente, enterradas ou descartadas em aterros, podem infectar o solo e os rios. Além de colocar em risco a saúde de animais e do próprio homem.
O presidente do inpEV destaca que quem não devolve as embalagens até a data estipulada corre o risco de sofrer penalidade administrativa.
“O agricultor que não devolve a embalagem é autuado e recebe multa. Pode haver casos onde pode ser considerado crime contra o meio ambiente. Se o produtor for considerado culpado, pode ter pena de prisão. Isso vale para todos envolvidos na cadeia de responsabilidade”, afirma Rando.
Como funciona

O Sistema Campo Limpo é gerenciado pelo inpEV, instituição que representa os fabricantes e têm o dever, estabelecido por lei, de promover a correta destinação das embalagens vazias desses produtos. Cada elo da cadeia tem uma função no processo:
→ O produtor compra o defensivo em uma revendedora, cooperativa ou na própria indústria do produto. No momento da compra, as revendas, as cooperativas ou as distribuidoras são obrigadas a colocar na nota fiscal o local de devolução dessas embalagens.
→ O produtor deve fazer a tríplice lavagem e perfurar a embalagem para evitar a reutilização. O recipiente pode ficar armazenado na propriedade por até um ano. Na hora da entrega, ele deve apresentar a nota fiscal.
→ A tríplice lavagem acontece no momento de uso do produto no campo. Quando termina a aplicação, o produtor coloca ¾ da embalagem de água, chacoalha e coloca dentro do pulverizador, e passa novamente na plantação. Com esse procedimento, o produtor evita o desperdício e lava corretamente as embalagens.
→ Os postos de entrega são responsabilidade do inpEV, que organizou uma rede composta por mais de 400 unidades de recebimento de embalagens vazias, em 25 Estados brasileiros e no Distrito Federal, gerenciadas por cerca de 260 associações de revendedores.
→  A indústria fabricante recolhe as embalagens nos postos. Se estiver limpa, depois da tríplice lavagem, elas são encaminhadas para reciclagem. Se não estiver limpa, são enviadas para incineradores credenciados. As embalagens não laváveis – cerca de 5% do total – também são incineradas.
→ Da reciclagem, a maioria das embalagens são encaminhadas para reaproveitamento e se tornam novos produtos, como tubos para construção civil, bateria de carros ou voltam a ser outra embalagem de agrotóxico.
Postos Camda
Pensando na responsabilidade ambiental, a Camda então decidiu construir postos para o recebimento das embalagens vazias de defensivos agrícolas para que seus cooperados pudessem devolvê-las cumprindo a lei em vigor.  Atualmente são dois próprios – um em Adamantina e outro em Penápolis – além de parcerias com os postos de recebimento já existentes nas cidades de Araguari-MG, Bilac-SP, Cambé-PR, Campo Grande-MS, Centralina-MG, Cornélio Procópio-MG, Dourados-MS, Frutal-MG, Iturama-MG, Mirandópolis-SP, Monte Carmelo-MG, Naviraí-MS, Palmeira D’Oeste-SP, Paraguaçu Paulista-SP, Quirinópolis-GO, Santa Cruz do Rio Pardo-SP, Santo Antônio da Platina-PR, São Gabriel do Oeste-MS, São José do Rio Preto-SP, São Manuel-SP, Tangará da Serra-MT, Três Lagoas-MS e Votuporanga-SP.
 


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